Projeto de Adoções à Distância (História)
Esta forma particular de Solidariedade Internacional foi lançada e difundida nos fins dos anos 70. Nascida de uma nova e ampla ‘cultura do dar’, esta ação não é um simples encontro entre quem dá com aquele que se encontra em necessidade. Trata-se do compromisso moral de enviar mensalmente uma contribuição financeira para a formação e o crescimento de uma criança no próprio contexto de origem, promovendo a família e o ambiente social a ponto de superar o estado de miséria. Nela cada um dos três pólos (a criança e sua família, o doador e o referente local do projeto -
AFASO), em diferentes medidas, mas com igual dignidade, é um sujeito ativo. Cada um, colocando ao outro as próprias capacidades, é construtor potencial de relações humanas positivas. Esta reciprocidade de amor lança pontes entre nações, culturas, tradições diversas e contribui ao desenvolvimento e a autopromoção.
As crianças e suas famílias, pouco a pouco, se descobrem protagonistas do seu desenvolvimento, em um processo de autopromoção pessoal e coletiva. A proximidade e o acompanhamento feito por pessoas fortemente motivadas nos valores humanos e cristãos, provoca neles a consciência de sua própria dignidade enquanto pessoas. Muitas vezes se percebe a iniciativa, entre as famílias, de se associarem entre elas para melhor conhecer e respeitar os seus direitos e deveres. Isso faz com que tenham acesso aos serviços sociais, ainda que pequenos, mas que antes nem sequer conheciam, transformando-se, em alguns casos, em interlocutores eficazes nos confrontos com as instituições governamentais.
Os doadores, vivendo o espírito da reciprocidade, enviam as contribuições acompanhadas com cartas, fotos, felicitações pelo aniversário ou no Natal.
Os responsáveis pelo projeto local informam os doadores regularmente sobre os resultados obtidos.
E todos os envolvidos sentem mais próxima a realidade na qual o outro está imerso, considerando como própria a pátria do outro. Um “ser” que educa e faz crescer em cada um a sensibilidade pelo ideal de um Mundo Unido, da fraternidade universal, do ‘mundo uma família’.
A iniciativa é mantida não só por famílias mas também por pessoas individualmente, turma de alunos, grupo de operários, condomínios, bares, sociedades esportivas, pessoas com idade avançada, namorados. São pessoas diversas, com uma fé religiosa ou não, atraídos por uma cultura que vai além de si, que supera a idéia do diferente, que acolhe, mantém, forma nas crianças e em si mesmos, ‘homens novos’.
Além das atividades desenvolvidas, esta solidariedade
vivida cotidianamente, provoca em todas as pessoas envolvidas (alunos, mães, pais, crianças,
professores, voluntários, ..., creches, escolas, comunidade) tantas e
surpreendentes descobertas. Descobertas que falam da maturidade da alma,
desenhada na reciprocidade, no respeito ao outro, nas derrotas e conquistas de
cada momento, no aprender a ser gente comigo e na minha relação com todos.
Este é o projeto de Adoções à Distância,
uma rede de solidariedade que provoca a alma. Onde a fraternidade e o amor
sugeridos não se limita ao âmbito restrito, embora importante e fundamental,
dos familiares e amigos. Esse mesmo amor irá transformar a vivência política
dos povos e das nações, a ponto de sermos responsáveis uns pelos outros na
construção participativa de um mundo melhor e mais justo.
A partir da mudança do homem, assumirão novos
aspectos também as relações sociais e políticas e, se essa mudança inicial tem
como essência o amor, fatalmente ganhará o regime econômico e político que a
conduzir.
Hoje já existem 80 projetos distribuídos em 38 países de 4
continentes, envolvendo nesta rede de solidariedade mais de 15000
crianças.